A relatividade das apresentações

A relatividade das apresentações

Gravidade, buraco negro, viagem no tempo, mistérios do universo e todos os elementos clássicos de uma boa ficção científica estão misturados em Interstellar. Ele já foi lançado há algum tempo, mas teve um delay aí pra todo mundo entender o filme e descobrir como ele é interessante e que tem muito a ensinar sobre apresentações (essa última característica acho que apenas eu descobri). Fiz isso revendo o filme nesse fim de semana, e enquanto mil fichas caiam na minha cabeça, minha companheira de sessão babava pela quarta dimensão do tempo e espaço. Então, saiba desse risco ao embarcar nessa expedição pela nerdice que é Interstellar.

Mas falando do que interessa, vamos ver o que podemos aprender com esse filme sobre apresentações.

Uma das teorias que sustenta a trama toda é a teoria da relatividade. Atenção para o telecurso Pipoca: relatividade é uma teoria criada por Albert Einstein que mostra como o tempo e o espaço são relativos. Ou seja, dependendo de algumas variáveis (como velocidade de deslocamento) o tempo pode passar de forma diferente para duas pessoas. Esse fenômeno também acontece em apresentações. Dúvida? Vou te provar cientificamente. Quando você vai fazer uma apresentação, daquelas preparadas de última hora, geralmente fica nervoso, certo? E o tempo parece passar voando! Você fala tudo o que tinha “ensaiado” e quando percebe, já acabou. Eu te garanto que para o público, a noção de tempo foi completamente diferente. Para eles o tempo passou devagar, quase parando, e para alguns, até deu pra tirar uma boa soneca. Mas por que isso aconteceu e como resolver isso?

Primeiro, as pessoas que estavam vendo a sua apresentação podem não ter se identificado com ela. Eles podem não ter visto como aquilo se aplicava no dia a dia delas, ou como todo aquele conteúdo era útil. E por mais que você os culpe, e chame todo mundo de ignorante, é função do apresentador deixar tudo isso bem claro. Como? Bom, o primeiro passo seria construir um conflito para sua apresentação. Identificar um problema que você quer resolver com as ideias apresentadas. Só assim, quem está ouvindo, pode entender qual é aplicação daquilo tudo, e como suas ideias realmente são necessárias. Outro truque é contar histórias. Como já dito pelos milhares de anos luz desse blog, histórias criam identificação, trazem suas ideias pro dia a dia e tornam as mais intangíveis teorias em algo compreensível e simples. Mas para isso é preciso planejamento, algo que não dá pra fazer de última hora.

Um bom exemplo disso tudo, é o próprio filme Interstellar. Com uma boa história (a trama do filme) deu pra entender teorias complexas como a da relatividade, ou como funciona um buraco negro e mais um monte de conteúdos científicos que o professor do seu ensino médio quis te ensinar. A diferença, é que vimos esses conceitos aplicados em uma história, algo com que podemos nos identificar. Deixe sua área de conforto e vá para galáxias distantes, buscando melhorar suas apresentações e buscando referências onde puder. Crie um conflito e saiba como usar suas várias histórias da vida, histórias reais que gerem identificação. Fica esperto, o buraco negro das apresentações ruins tá sempre por aí e pode te sugar bonito. Cochilou, cachimbo desintegra.

Eduardo Brunetto
du@pipocamoderna.com