Pipoca Moderna | Sinal vs ruído em apresentações
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Sinal vs ruído em apresentações

Nas próximas semanas, daremos dicas de conceitos de design para apresentações com referência nos livros Apresentações Zen de Garr Reynolds e Slide:ology de Nany Duarte. O tema de hoje é a relação sinal vs ruído em apresentações. Um termo mais técnico geralmente usado para transmissões de rádio, que foi apropriado para apresentações.

Hoje, abordamos temas cada vez mais conceituais e intangíveis em nossas apresentações. Serviços, softwares, causas, liderança intelectual, gestão, visão corporativa e etc. O problema é que tudo isso é invisível, e pensar em alguma forma de expressá-los visualmente em nossos slides e torná-las tangíveis é uma forma de fazer arte. Construir slides eficientes e objetivos é extremamente difícil, e muitas vezes, na ânsia de por tudo o que vamos falar na tela, acabamos criando ruído em nossa comunicação com o público. E é aí que entra a relação entre sinal/ruído que refere-se ao quanto de informação você consegue passar em um slide com o mínimo de poluição. Ou seja, seu objetivo deve ser conseguir a maior relação sinal/ruído possível.

Essa relação está ligada ao desejo de tornar as mensagens mais fáceis de serem assimiladas pelas pessoas. Uma das formas de garantir isso é pela economia de informações em uma única tela. Não adianta, somos seres limitados, e quando um monte de cores, números e textos aparecem na nossa frente, passamos o olho apenas naquilo que nos chama mais atenção, não conseguindo assimilar todas as informações que ali estavam. Portanto, é função do apresentador tomar cuidado para que seus slides sejam simples e eficazes, retirando tudo o que degrada a mensagem principal do slide.

Várias coisas podem atrapalhar na emissão da mensagem. Como os logos em todas as telas que não adicionam nem apoiam o discurso do apresentador. Escolha de gráficos confusos, cores, linhas e recursos gráficos que enfatizam itens que não são importantes. Ou seja, minimize os elementos irrelevantes e aprenda a valorizar a mensagem principal. Mais precisamente quando vamos expor dados, temos que perceber que slides sobre dados não são sobre os dados em si, mas sim sobre o que eles significam. Portanto, não enfeite demais seus gráficos, isso apenas faz com que você perca credibilidade. Vá direto ao ponto, o que você quer que as pessoas aprendam com aqueles números? Mantenha na tela somente o que servir para responder essa pergunta. Outro recurso que pode atrapalhar, é o uso de gráficos em 3D, que ao contrário do que a pessoas pensam, não tangibilizam a informação, apenas a polui. Porém alguns adornos, que não atrapalham a mensagem, mas também não são necessários, podem ser mantidos. Como por exemplo, o uso de imagens ao fundo de gráficos ou frases. Isso parte da sensibilidade do apresentador, que sempre deve levar em conta a melhor compreensão da plateia.

Precisamos pensar que nossos slides funcionam como um rádio e a todo momento estão emitindo sinais para a plateia. Uma analogia que Nancy faz em seu livro é a seguinte: imagine que começa a tocar a sua música favorita no rádio, porém há tanto chiado na transmissão que você resolve desligar o aparelho. Em nossas apresentações não é diferente, a cor, as palavras a forma como os gráficos são expostos emitem constantes sinais a plateia, que se mal planejados, geram ruídos e fazem com que o público desligue-se da nossa apresentação. Agora que compreendemos a importância de uma seleção efetiva do que iremos colocar na tela, nos próximos posts veremos como colocá-las.

Rodrigo Ventura
rodrigo@pipocamoderna.com

Sócio-fundador da Pipoca Moderna, colecionador de discos, apreciador de plantas, livros e churros.