Pipoca Moderna | Como decorar seu discurso
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Como decorar seu discurso

Praticamente todos nós temos esse problema. Após horas dedicas a criação de uma apresentação, na elaboração do roteiro e finalmente na criação de slides, agora você tem que decorar seu discurso. E essa parte não é fácil, eu sei. Com muito estudo e treino, uma hora você vai conseguir ter seu discurso na ponta da língua, mas então você percebe que precisa atualizá-lo e mudar algumas coisas na linha de argumentação, e agora você tem que recomeçar o processo para decorar tudo de novo. Será que não existem dicas, truques e formas de melhorarmos nossa memória e termos mais facilidade para finalmente decorarmos nossas apresentações? Boas notícias caro leitor, pois existem sim. E foi na apresentação de Joshua Foer, que você pode assistir aqui, que descobrimos isso. Bom, na verdade, vamos dividir o post de hoje em duas etapas. Na primeira vamos resumir algumas dicas dadas por Joshua sobre como treinar a nossa memória e usar isso no ramos das apresentações. Na outra parte, vamos analisar o discurso de Joshua e tirar algumas dicas de como construir um roteiro tão bom quanto o dele para a nossa apresentação.

A arte da associação. Existem até campeonatos de memória, pelo que conta Joshua, e as pessoas que ganham esses concursos não têm nenhum supercérebro, ou não são mais inteligentes do que eu ou você, então como eles conseguem decorar baralhos inteiros fora de ordem e milhares de números aleatórios? Segundo Joshua, usando associação. Como ele mesmo explica, ele decorou a sua apresentação tópico por tópico e não palavra por palavra. Na sua cabeça, ele foi criando associações com coisas bizarras para conseguir se lembrar do que queria falar. Usando desde gente andando pelada de bicicleta até a Britney Spears para conseguir lembrar qual seria o próximo assunto que ele iria tratar. Essa é uma técnica milenar, usada desde a Grécia antiga, onde as pessoa as perceberam que nós possuímos uma ótima memória espacial e que fazendo associações com coisas malucas na nossa cabeça, podemos criar cenas que nos remetem a certas informações e nos ajudam a decorá-las. Para entender melhor tudo isso, pare e assista o vídeo. Acredite, vale a pena.

Use imagens. Algo que não necessariamente está no vídeo mas podemos deduzir, é que podemos usar as imagens que colocamos em nossos slides para nos ajudar a decorar o nosso discurso. Imagens, gráficos ou tabelas que logo te lembrem da sua linha de raciocínio e que deixe claro pra plateia que tipo de associação você está fazendo, pode ser um modo de facilitar a sua vida, onde você perderia menos tempo tentando decorar suas apresentações.

ANALISANDO O DISCURSO:

Agora vamos analisar alguns pontos do discurso de Joshua, de como ele constrói a sua argumentação e torna a sua apresentação interessante. 

Deixe pontas soltas e amarre-as depois. Quando Joshua conta sobre suas associações malucas, como aquela dos gordinhos andando de bicicleta pelados e da Britney Spears dançando na mesa de centro da sua sala, ele não deixa claro pra que elas servem ou qual é o objetivo de ele ter contado essas histórias sem noção. É só depois de ter explicado a sua teoria que ele retoma essas histórias e dá a elas um sentido. Esse tipo de técnica faz com que as pessoas se mantenham atentas ao seu discurso tentando encontrar como as pontas, deixadas soltas por você, se conectam, e quando você finalmente os mostra, eles acham incrível.

Repita seus conceitos chave. Durante toda a apresentação, vemos Joshua retomando alguns conceitos e sempre reforçando sua tese. Como por exemplo, o caso do “Baker” e “baker” são constantemente citados, apenas para tornar as coisas mais claras para as pessoas. Ou como o exemplo que eu citei acima, da história sem pé nem cabeça contada por ele que depois é explicada. Tudo isso dá ao público uma noção de conectividade.

Termine com algo a mais. Não basta o cara vir e descontruir tudo o que eu pensava sobre a memória humana, ele ainda tem que pegar e jogar na minha cara que a vida é curta e que eu deveria me preocupar mais em me lembrar dela. Há poucas maneiras melhores de se fechar uma apresentação do que propondo uma reflexão. Pegar tudo aquilo que você explicou e mostrar como isso pode ser importante na vida da pessoas. Simples, porém importante. Como por exemplo: lembrar. Nossa memória é um resumo da vida e olha que a vida já bem curta. E o quanto vamos deixar passar perdidos em nossos smartphones ao invés de vivermos os momentos e lembrarmos deles mais tarde? É o pensamento que Joshua deixa remoendo nossa cabeça.

Acho que já tá bom de texto por hoje. Quero só ver você lembrar de todas as dicas que eu dei aqui.

Eduardo Brunetto
du@pipocamoderna.com