Pipoca Moderna | Análise do discurso de Benjamin Zander
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Análise do discurso de Benjamin Zander

É raro conhecer uma pessoa que realmente goste de música clássica. Popular, seria um dos últimos adjetivos que alguém daria para esse estilo musical que muitos afirmam estar morrendo. Imagine então, que você está na palestra de um maestro, sem esperar nada demais, e então ele diz: “meu objetivo hoje é fazer com que todos aqui saíam dessa palestra entendendo e amando música clássica.” E ele realmente o faz. Vamos entender como ele articula seu discurso para isso.

Primeiramente, Zander apresenta a realidade da música clássica no mundo atual. Ele admite que são poucos os admiradores do estilo, mas diz que aqueles que não gostam de música clássica, apenas não tiveram a oportunidade de aprender a entendê-la. Sendo assim, ele resolve explicar. Mas devemos notar que Zander nunca se posiciona como o senhor “sabe tudo”, não fica usando termos técnicos e tentando mostrar seu conhecimento. Ele transforma a música clássica em algo coloquial, tira sarro do estilo e se põe no lugar do público.

Introduzindo o assunto e deixando as pessoas acostumadas com o som de seu piano, chega a hora de criar um vínculo emocional com eles. Agora que a plateia tem uma breve noção do que as notas significam, Zander pede para que durante a música todos pensem em alguém amado que não se encontra mais ali. Foi a junção perfeita entre teoria e emoção. Todos reagem muito positivamente ao exercício e a barreira que existia entre o público e o objetivo do palestrante, fazer com que todos amem música clássica, é quebrada.

Não contente, Zander traça um paralelo entre a música e a vida. Segundo ele, é necessário entender a música por completo, não se apegar com as notas no caminho, mas sim com o seu objetivo final. Como fez Mandela ao ficar 27 anos preso. Segundo Zander, Mandela não estava pensando somente no que ia comer no almoço quando fez tamanho sacrifício, ele lutava por uma causa, algo que traria resultado no futuro. Também fala sobre o seu trabalho, que para ele ensinar música clássica é fazer com que haja brilho nos olhos das pessoas. Então ele propõe uma reflexão: “Quem somos nós, lá fora, no mundo? Não falo de riqueza, fama ou poder. Falo de quantas pessoas de olhos brilhante temos à nossa volta?”

Saber apresentar ao público um assunto complexo de uma maneira fácil de entender, usando metáforas e assuntos cotidianos. Conseguir emocionar as pessoas por meio de histórias fazendo com que elas se abram para ouvir o que você tem a falar. E depois, apresentar o objetivo maior. Foi assim que Benjamin Zander nos fez aprender a amar música clássica e quem sabe tentar colocar um pouco de brilho nos olhos de algumas pessoas por ai.

Eduardo Brunetto
du@pipocamoderna.com