Pipoca Moderna | A história das apresentações
1271
post-template-default,single,single-post,postid-1271,single-format-standard,,qode-title-hidden,qode-theme-ver-15.0,qode-theme-bridge,disabled_footer_top,disabled_footer_bottom,wpb-js-composer js-comp-ver-4.11.2.1,vc_responsive

A história das apresentações

O ser humano sempre se apresentou. Apresentações não são exclusivamente corporativas, e não surgiram junto com os escritórios, ternos e gravatas. O ato de apresentar sempre foi usado para contar histórias, para entreter e principalmente para convencer e é usado hoje com as mesmas intenções, só que aprimoradas e adaptadas para o nosso tempo. No post de hoje vamos fazer uma análise histórica das apresentações, para aprendermos com o passado e melhorarmos nossas apresentações.

Primordialmente, o ser humano se comunicava por meio de expressões corporais e ruídos. A comunicação era completamente intuitiva, feita no grito e pela imposição física. Ainda temos esse nosso lado irracional ativo, portanto ainda damos muita importância para a linguagem corporal, respeitamos aqueles que sabem se impor e passar respeito pela forma que apresentam. Com o tempo surgiram as palavras, e até a linguagem visual – pinturas rupestres – que serviam para sustentar a fala e facilitar a compreensão do público. O que de certa forma, faz parte da história das apresentações.

Na Grécia antiga, a Ágora (lugar de reunião, praça pública) era o ponto de encontro para discussões políticas, filosóficas e culturais que resultavam nas mais complexas apresentações. Platão narra em seus livros, vários embates filosóficos entre Sócrates e os Sofistas, mostrando a articulação de argumentos, uso de storytelling (não se esqueça do mito da caverna e do nosso post sobre storytelling) e como o discurso era construído para convencer o público e vencer seu opositor. Aristóteles analisou diversas discussões e traçou um padrão entre os discursos vencedores, criando o clássico esqueleto: Introdução, desenvolvimento, conclusão. Segundo ele, os oradores que usavam essa estrutura eram os que mais constantemente convenciam as pessoas.

Em Roma, o Senado também era um lugar de discussões e disputas ideológicas. O código Romano, estudado até hoje, foi definido por meio de discussões e apresentações feitas pelos senadores. Por mais que a sociedade e as apresentações tenham evoluído muito até esse período, após as invasões bárbaras e com o início do feudalismo, o poder do conhecimento ficou todo na mão da igreja assim como o poder de se apresentar. Pela falta do uso da razão, discutir, argumentar, e apresentar eram ações quase impossíveis de se fazer, pois quem discordava da igreja, se encontraria numa fogueira, e não em um palco com seus slides ao fundo pronto para apresentar sua tese. Com a imprensa e a revolta protestante de Martinho Lutero, o poder da Igreja passou a diminuir e com o Renascimento, perdeu ainda mais espaço.

É importante analisar esse período, pois com o Renascimento o homem passou a ser o centro do universo, e os artista começaram a aparecer. A arte e seu engajamento também pode ser considerado uma apresentação, só que visual. A arte se desenvolveu muito nessa época. Depois de alguns séculos e com a evolução humana, ocorreu no século XVIII a primeira revolução industrial, e as apresentações começaram a ser usadas com viés comercial, o que nunca tinha acontecido em tamanha escala antes. Depois da terceira revolução Industrial, a publicidade passou a ser essencial dentro de um mercado extremamente competitivo. Grandes corporações foram criadas e diárias apresentações corporativas, cheias de gráficos, sem graça e sem criatividade, eram feitas.

Chegamos então no hoje, uma mistura ente a Ágora grega com a realidade da revolução industrial. Encontramos por ai muitas apresentações que ainda insistem em não contar histórias e que não conquistam o público com seus gráficos chatos, mas como renascentistas, buscamos transformar apresentações em obras de arte. Usando o conceito de Aristóteles, apresentações com começo, meio e fim, com histórias e um visual de fazer inveja a Picasso, estão sendo desenvolvidas e melhoradas. Acredite, a história da apresentações está apenas começando. Faça parte dela, apresente-se.

Eduardo Brunetto
du@pipocamoderna.com